Tu pega a tua camisa vermelha todo domingo, ou no meio de semana à
noite. Pega teus amigos, a família, o ônibus, o carro, a bebida, o
ingresso. Quando sente o cheiro da fumaça do churrasquinho de gato, tu
entra no jogo. O cheiro se mistura com a grama, com a umidade do inverno
– é noite de Copa, é dia de Copa. O ar fica diferente, o vermelho se
ilumina, com os refletores, as camisetas, as bandeiras em vermelho e
branco numa arquibancada que parece não ter começo nem fim. É noite de
Copa. É o placar, o frio, o agasalho, a bebida que esquenta, o pulo que
incentiva, vamos lá, é noite de Copa. O Inter vai entrar, faltam dez
minutos. É a hora que o campo brilha nas chamas profundas do nosso
paraíso. O paraíso da fumaça, da luz, do canto, do fogo. O paraíso pra
nós, o inferno para quem nos enfrenta.
Quantas vezes não saímos
de casa para uma noite de Copa pensando apenas no cheiro daquela fumaça?
E em como aquele cheiro nos entorpecia, mais que qualquer droga, é um
perfume de mulher amada, é um banho de mar, é a vitória, a vitória.
Aquela sensação que nos enlouquece e faz cantar até a voz ficar rouca,
chegar em casa suado, cansado, e esperar ansioso por mais uma noite
dessas. É o Inter em campo, o suor deles é o nosso, a garra deles é a
nossa, quando a bola corre, a gente sabe que pode sempre alcançar.
Quando a voz acaba, a gente sabe que pode sempre cantar mais um verso. E
dar mais um salto. E agitar mais uma bandeira. O que a gente precisa,
agora, é desse algo a mais. Lembra como foi há quatro anos atrás, quando
tudo parecia impossível? Pois é, a gente sabe que não é mais. Nada é
impossível, nada é distante, todas as taças estão aí, a um museu de
distância. É essa hora que temos que olhar pra nós pensando: o que
perdemos? Nada. Não perdemos nada. Mudamos muito. Mas a sensação
entorpecente da fumaça rubra e do cheiro da grama úmida e fria de uma
noite de Copa a gente não perdeu. A gente lembra. E a gente quer de
novo. E de novo, e de novo.
Fonte: www.guardapopularcolorada.com.br

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